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MOBILIZAÇÃO INDÍGENA


Líderes indígenas pedem o fim do “genocídio” dos indígenas isolados

O xamã Yanomami Davi Kopenawa, que assinou a carta aberta alertando de um genocídio ocorrendo no país.
O xamã Yanomami Davi Kopenawa, que assinou a carta aberta alertando de um genocídio ocorrendo no país.
© Fiona Watson/Survival
Três líderes indígenas eminentes denunciaram o ataque conjunto do governo contra os direitos indígenas como “genocida.”
Davi Kopenawa Yanomami, xamã e líder da tribo dos Yanomami em Roraima, Raoni Metuktire, líder Kayapó, e Sonia Bone Guajajara, ativista e líder Guajajara, publicaram uma carta aberta.
Na carta, eles dizem: “Um genocídio está acontecendo em nosso país, o Brasil.
“O governo está nos destruindo, os povos indígenas, primeiros povos do nosso país. Em nome de lucro e poder, as nossas terras estão sendo roubadas, as nossas florestas queimadas, os nossos rios poluídos e as nossas comunidades devastadas. Os nossos parentes isolados, que vivem no interior da floresta, estão sendo atacados e mortos.
“O governo está retirando a proteção das nossas terras, está mudando as leis para permitir a expansão do agronegócio e da mineração e está tentando silenciar a nossa oposição. Este é o ataque mais agressivo que enfrentamos até hoje em nossas vidas.
“Mas não seremos silenciados. Não queremos que as riquezas de nossas terras sejam roubadas e vendidas. Pois seguimos cuidando de nossas terras desde tempos imemoriais. Protegemos a nossa floresta porque ela nos dá vida.
“Nós, os irmãos e irmãs indígenas de mais de 200 povos diferentes, estamos nos juntando para protestar. Do coração da floresta Amazônica, estamos implorando pela sua ajuda. Neste momento de crise, precisamos de vocês. Por favor, digam ao governo que a nossa terra não pode ser roubada.”
Raoni Metuktire, o famoso líder e ativista Kayapó, que luta pelos direitos indígenas e contra a hidrelétrica de Belo Monte na Amazônia.
Raoni Metuktire, o famoso líder e ativista Kayapó, que luta pelos direitos indígenas e contra a hidrelétrica de Belo Monte na Amazônia.
© Antonio Bonsorte/Amazon Watch
A carta foi escrita em resposta às crescentes preocupações sobre os laços estreitos do governo Temer com a poderosa bancada ruralista, notoriamente anti-indígena.
Especialistas afirmam que a atitude do governo atual frente aos povos indígenas é “a pior em décadas.” As tribos isoladas são os povos mais vulneráveis do planeta, mas onde seus direitos territoriais são respeitados, elas continuam a prosperar.
FUNAI, cujos sertanistas patrulham e protegem os territórios indígenas, teve seu orçamento severamente reduzido. Isso está deixando muitos povos isolados expostos fatalmente à violência de forasteiros e doenças como a gripe e o sarampo, às quais não têm resistência.
Além disso, houve um grave aumento na violência contra indígenas por pessoas que querem roubar suas terras e recursos. Em agosto, cerca de 10 indígenas isolados foram supostamente massacrados no Vale do Javari. Em maio, fazendeiros atacaram um grupo de indígenas Gamela com facões e vinte e dois índios ficaram feridos.
Sonia Guajajara, uma ativista indígena proeminente, em um protesto em Paris em 2014.
Sonia Guajajara, uma ativista indígena proeminente, em um protesto em Paris em 2014.
© Survival International
Os indígenas isolados não são atrasados ou relíquias primitivas de um passado remoto. Eles são nossos contemporâneos e parte vital da diversidade humana.
O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse: “O governo brasileiro está realizando uma campanha estruturada para enfraquecer os direitos indígenas, e está deliberadamente deixando territórios de tribos isoladas abertos a invasões. O que está ocorrendo no Brasil é uma crise humanitária urgente e terrível, e precisamos do máximo possível de pessoas para deixar claro às autoridades que essa perseguição tem que acabar.”

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